Viroses infantis: pediatra do Esaú Matos orienta sobre sintomas, cuidados e quando procurar atendimento

Com a chegada da primavera, em setembro, as temperaturas começaram a subir e o tempo ficou mais seco. Essas mudanças nas condições climáticas podem favorecer o surgimento de problemas de saúde e exigem atenção, principalmente quando se trata das crianças. No Hospital Municipal Esaú Matos, por exemplo, aumentou a procura por atendimento pediátrico de pacientes com sintomas como diarreia, febre, vômitos e prostração, manifestações frequentemente associadas às chamadas viroses.

Mas, afinal, o que é uma virose? Na medicina, o termo é utilizado para caracterizar doenças provocadas por diferentes tipos de vírus, que nem sempre podem ser identificados durante uma consulta. Mesmo sem a identificação exata do agente causador, é possível tratar os sintomas e acompanhar a evolução do quadro, conforme explica a médica pediatra e coordenadora da Pediatria do Hospital Municipal Esaú Matos, Daniela Aguillar.

Daniela Aguillar, coordenadora de pediatria do Esaú Matos

Segundo ela, as viroses apresentam sazonalidade, ou seja, são mais comuns em determinados períodos do ano. Entre abril e agosto, há maior circulação de vírus que provocam doenças respiratórias, como resfriados e gripes. Já entre setembro e novembro, outras infecções ganham espaço e podem causar diarreia, vômitos, febre e dor abdominal. Em geral, os quadros podem durar de cinco a sete dias, dependendo do tipo de infecção e da evolução dos sintomas.

Diante dos primeiros sintomas, alguns cuidados podem ser adotados em casa, como reforçar a hidratação, principalmente nos casos de diarreia, com oferta frequente de água e uso de soro de reidratação oral. O controle da febre também pode ser necessário, com medicamentos antitérmicos, conforme orientação profissional. A médica alerta, no entanto, que os responsáveis devem ficar atentos aos sinais que exigem atendimento imediato. “A presença de sangue nas fezes, vômitos frequentes ou quando o bebê fica muito caidinho, amolecido e prostrado são sinais de alerta. Nesses casos, é preciso procurar imediatamente o pronto-socorro”, orienta.

Mas quando procurar atendimento médico?

A recomendação é que os hospitais e prontos-socorros sejam procurados prioritariamente nos casos mais graves, que exigem internação ou intervenção médica imediata. Diante de sintomas como febre e suspeita de infecção viral, a orientação inicial é buscar atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS), onde a criança poderá ser avaliada e, se necessário, encaminhada para um serviço de maior complexidade. “O hospital precisa estar preparado para receber os casos mais graves, que necessitam de internação ou de uma intervenção mais rápida. Por isso, inicialmente, a orientação é procurar sempre a Unidade Básica de Saúde. A partir da avaliação, será identificada a necessidade de encaminhamento ao pronto atendimento”, explica a médica.

Gabriela Ferraz e Bernardo

Gabriela Ferraz, mãe de Bernardo, de 6 anos, procurou o pronto-socorro pediátrico do Hospital Municipal Esaú Matos na última quarta-feira, 04, após o filho apresentar sintomas gastrointestinais e febre alta. Segundo ela, o atendimento foi rápido, desde a chegada até o início da medicação. “Cheguei aqui por volta das oito horas da manhã. Foi bem rapidinho, fiz a ficha, passamos pela triagem e pouco tempo depois fomos chamados para o atendimento. Ele já está tomando a medicação. Agora, estou torcendo para ficar bem logo”, relatou.

Como muitos vírus são transmitidos pelo ar ou pelo contato entre pessoas, evitar completamente a exposição é difícil. Ainda assim, algumas medidas ajudam a reduzir a transmissão, como higienizar as mãos com frequência, evitar aglomerações e ambientes fechados e manter distância de pessoas com sintomas de infecção. Nesse sentido, a médica reforça também que crianças com febre ou outros sintomas mais intensos devem permanecer em casa, sem frequentar creches ou escolas, até a melhora do quadro.