A obesidade infantil, segundo dados do Ministério da Saúde, tem se tornado um dos principais desafios de saúde pública da atualidade. No Dia da Conscientização Contra a Obesidade Infantil, celebrado em 3 de junho, especialistas reforçam a importância da adoção de hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida para prevenir o excesso de peso e suas consequências para a saúde.
De acordo com a pediatra Daniela Aguilar, a obesidade infantil não é avaliada apenas pelo peso da criança. O diagnóstico leva em consideração fatores como o Índice de Massa Corporal (IMC), a curva de crescimento, o histórico familiar e as condições de saúde física e emocional da criança. “Acompanhamos o crescimento e o desenvolvimento infantil em todas as fases da infância. Quando identificamos precocemente alterações no peso, é possível intervir mais cedo e evitar complicações futuras”, destaca a médica.
Segundo Daniela, o aumento dos casos de obesidade infantil está relacionado às mudanças no estilo de vida da população. O maior tempo em frente às telas, a redução das atividades físicas e o consumo frequente de alimentos ultraprocessados têm contribuído para esse cenário. Além de impactar a qualidade de vida durante a infância, a obesidade pode favorecer o surgimento de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, colesterol elevado e problemas cardiovasculares ainda na juventude ou na vida adulta.
Hábitos saudáveis começam antes mesmo do nascimento

A nutricionista Flávia Chaves explica que a prevenção da obesidade infantil deve começar ainda antes do nascimento da criança. Ela destaca a importância dos chamados “1.100 dias”, período que se inicia 03 meses antes da concepção e vai até os dois primeiros anos de vida. “Esse é um período fundamental para a formação dos hábitos alimentares e para a saúde da criança ao longo da vida. As escolhas feitas nessa fase podem reduzir significativamente o risco de obesidade e outras doenças no futuro”, explica.
Entre os fatores que mais contribuem para o ganho excessivo de peso na infância estão o consumo frequente de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, a falta de rotina alimentar e o sedentarismo. Para a nutricionista, os pais e responsáveis têm papel fundamental na construção de hábitos saudáveis. O exemplo dado dentro de casa influencia diretamente a relação da criança com a alimentação. “A formação desses hábitos começa desde a introdução alimentar. As crianças observam o que os pais compram, como preparam os alimentos e até a forma como realizam as refeições. Por isso, toda a família deve participar desse processo”, ressalta.
Prevenção é o melhor caminho
Daniela e Flavia, reforçam que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz para combater a obesidade infantil. Entre as principais recomendações estão a oferta de uma alimentação equilibrada, a redução do consumo de alimentos ultraprocessados, o incentivo às brincadeiras e atividades físicas, a diminuição do tempo de tela e a manutenção de uma rotina alimentar organizada.
Também é importante buscar acompanhamento profissional antes mesmo de surgirem problemas relacionados ao peso. O acompanhamento pediátrico regular e a orientação nutricional podem auxiliar as famílias na construção de hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida. Mais do que controlar números na balança, prevenir a obesidade infantil significa promover saúde, qualidade de vida e um desenvolvimento mais saudável para as crianças, hoje e no futuro.
