Neste mês de abril, a profissão de doula foi regulamentada no Brasil pela Lei nº 15.381/2026, representando um importante avanço para a humanização do parto no país. Na Fundação Pública de Saúde de Vitória da Conquista (FSVC), esse cuidado já é uma realidade consolidada: a presença de doulas é garantida às gestantes durante o trabalho de parto no Hospital Municipal Esaú Matos, reforçando o acolhimento, a segurança e o protagonismo da mulher no momento do nascimento. Além de permitir a atuação dessas profissionais na unidade, a Fundação também investe na formação de novas doulas, por meio de um curso gratuito, que atualmente está em sua segunda turma.
Segundo a médica Mariana Diniz, a presença da doula traz benefícios importantes tanto físicos quanto emocionais para a gestante, já que oferece suporte contínuo durante o trabalho de parto e auxilia no controle da dor por meio de métodos não farmacológicos, como técnicas de respiração, massagens e mudanças de posição. “A doula acolhe, orienta e transmite segurança, o que reduz a ansiedade e o medo. Estudos mostram que essa assistência contínua pode até diminuir o tempo de trabalho de parto e a necessidade de intervenções”, destacou.

Mariana também ressalta que a atuação da doula está diretamente relacionada ao parto humanizado. “Ela ajuda a garantir que a mulher seja protagonista do seu parto, respeitando suas escolhas, seu tempo e suas necessidades. A doula também facilita a comunicação entre a gestante e a equipe de saúde, promovendo um ambiente mais acolhedor, respeitoso e centrado na mulher”, afirmou.
Profissionalismo e cuidado
Ana Luiza, que teve seu bebê recentemente na unidade, contou que, apesar de não ter tido acompanhamento de doula durante a gestação, recebeu apoio de uma doula voluntária durante o trabalho de parto. “Principalmente por ter sido minha primeira gestação, foi de suma importância o acompanhamento da doula em meu parto. A todo momento ela me passava segurança e me auxiliava em cada etapa”, relatou.


Além de beneficiar as pacientes, a iniciativa também cria oportunidades para mulheres que desejam atuar na área. Entre as alunas do curso está a enfermeira Gláucia Barros, que está concluindo a formação de doula no hospital. Desde a graduação em enfermagem, ela já tinha afinidade com a área materno infantil. “Eu sempre senti esse amor pelo mundo da gestante e queria poder alinhar o lado técnico da saúde com o cuidado que a doula traz, sobre o empoderamento da mulher e sobre o seu corpo”, contou.
Para Gláucia, a conclusão do curso permitirá contribuir ainda mais com as gestantes. “Quero ajudar as mulheres a serem donas do próprio parto, entendendo que elas têm voz, escolhas e protagonismo nesse momento tão importante”, afirmou.

A coordenadora do Grupo de Trabalho de Humanização (GTH), doula e responsável pelo curso, Cristiana Moura, explica que a iniciativa surgiu a partir da decisão da direção técnica do hospital de permitir a presença de doulas voluntárias na unidade. “Estamos desde 2017 formando mulheres que cuidam de mulheres durante o período de gestação, parto e pós-parto”, destacou.

Segundo Cristiana, o impacto social da formação é amplo, pois o curso contribui tanto para o fortalecimento emocional das gestantes quanto para o cuidado físico. “Durante o curso, elas aplicam o conhecimento dentro do SUS. A formação qualifica essas mulheres para gerar renda, mas também permite que, ainda durante o período de aprendizado, elas atuem em um hospital 100% SUS e ofereçam esse suporte gratuitamente às pacientes”, explicou.
Para atuar no Hospital Municipal Esaú Matos, as doulas precisam realizar cadastro prévio junto ao GTH, comprovando formação com carga horária mínima de 120 horas, além de experiência e vivência na área por meio de certificados.
Com iniciativas que fortalecem a humanização da assistência e a qualificação profissional, a Fundação Pública de Saúde de Vitória da Conquista reafirma seu compromisso com o cuidado integral à mulher, garantindo às gestantes um atendimento mais acolhedor, respeitoso e humanizado.


